Expansão do laboratório vinculado ao Instituto GeoAtlantico fortalece estudos em geociências, meio ambiente, paleontologia e arqueologia e abre novas oportunidades de colaboração científica.
O Laboratório de Geocronologia e Isótopos Radiogênicos (LAGIR), vinculado ao Instituto GeoAtlantico, inaugurou, no dia 9 de outubro, a expansão LAGIR-NEOMA, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A nova estrutura conta com equipamentos de alta precisão que ampliam as possibilidades de análise isotópica e fortalecem a atuação do laboratório em pesquisas no Brasil e no exterior.
A expansão foi viabilizada por recursos aprovados pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), por meio do programa CT-INFRA/PROINFRA, e pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), voltado à infraestrutura multiusuária para equipamentos de grande porte. O processo envolveu a especificação técnica, a importação e a instalação dos equipamentos, além da adequação do espaço físico e da calibração dos sistemas.
Entre as novidades estão o NEOMA, um espectrômetro de massa multicoletor com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), e o IRIDIA, sistema de ablação a laser, ainda em fase de importação. Os equipamentos se somam ao TRITON, utilizado pelo laboratório desde 2004, e ampliam a variedade de análises que a equipe pode realizar.
Segundo Henrique Bruno, coordenador do LAGIR e pesquisador do Instituto GeoAtlantico, a expansão representa um avanço na capacidade científica do laboratório.
“Essa expansão amplia bastante a capacidade analítica do LAGIR. Além do TRITON, passamos a contar com o NEOMA, um multicoletor de última geração, e com o sistema de ablação a laser. Isso aumenta não só o volume de análises que conseguimos fazer, mas também a variedade de sistemas isotópicos que conseguimos explorar.”
Os novos sistemas têm funções complementares. O TRITON permite medir, com alta precisão, isótopos de elementos como estrôncio (Sr), neodímio (Nd) e chumbo (Pb). Já o NEOMA amplia o conjunto de elementos e sistemas isotópicos que podem ser analisados, inclusive os chamados isótopos não convencionais. A combinação dos equipamentos permite ao LAGIR atender a diferentes demandas de pesquisa.
Pesquisas que vão além da geologia
Embora tenha origem na geocronologia, área que investiga a idade das rochas e os processos de formação da Terra, o LAGIR também contribui para estudos em paleontologia, arqueologia e ciências ambientais.
Essa diversidade surgiu à medida que pesquisadores de outras áreas passaram a utilizar as técnicas isotópicas do laboratório para responder a novas perguntas científicas. Um exemplo é a análise de razões isotópicas de estrôncio em restos fósseis, que pode ajudar a investigar a mobilidade de seres humanos e animais. Esse trabalho inclui parcerias com o Museu Nacional.
O laboratório também participa de estudos ambientais com instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), inclusive em ações de monitoramento após o desastre de Mariana.
“Isso foi acontecendo aos poucos, à medida que outros pesquisadores perceberam que as técnicas isotópicas que desenvolvemos para estudar rochas também respondiam perguntas de outras áreas”, explica Henrique Bruno. “O que começou como um laboratório voltado à geocronologia foi se tornando uma ferramenta multidisciplinar.”
Instituto GeoAtlantico amplia rede de colaboração
Para Monica Heilbron, vice-coordenadora do LAGIR e coordenadora do Instituto GeoAtlantico, a expansão fortalece a infraestrutura disponível para os grupos de pesquisa vinculados ao instituto e amplia as oportunidades de cooperação científica.
“Esse laboratório é um laboratório de grande porte, um dos poucos que existem na América Latina com equipamentos do mesmo porte, semelhantes, e ele vai poder atender a todos os nossos parceiros de pesquisa nacionais e internacionais que estão vinculados ao Instituto GeoAtlantico”, afirma.
Monica destaca que a conquista beneficia não apenas a equipe diretamente ligada ao laboratório, mas também a rede de pesquisadores que integra o instituto. “Eu considero isso uma vitória para o Instituto GeoAtlantico também, não só para a Faculdade de Geologia da UERJ, mas para o Instituto GeoAtlantico como um todo.”
A nova estrutura também deve ampliar o intercâmbio entre pesquisadores e estudantes de diferentes instituições. Luiz Guilherme Eirado, diretor da Faculdade de Geologia da UERJ e pesquisador do Instituto GeoAtlantico, ressalta que os equipamentos abrem novas possibilidades para projetos conjuntos.
“É uma alegria essa expansão do laboratório LAGIR, abrindo uma nova etapa aqui nas pesquisas analíticas em geocronologia, em geoquímica isotópica, que vai ser importante para as áreas de geociências, ciências ambientais, entre outras”, afirma.
Para ele, a estrutura pode atrair estudantes de graduação e pós-graduação, além de pesquisadores do Brasil e de outros países. A expectativa é que esses profissionais utilizem os equipamentos em seus estudos e estabeleçam novas parcerias com a equipe.
“Isso vai dar uma visibilidade muito grande para a Faculdade de Geologia e para a UERJ como um todo”, completa.
Parceria técnica e experiência de longo prazo
A implantação da nova estrutura também contou com a participação da SENS Representações Comerciais Limitadas, empresa que representa fabricantes de equipamentos analíticos e oferece suporte técnico à comunidade científica.
Antônio Celso Jardim, representante da empresa, explica que a SENS atuou como intermediária nas negociações entre a fabricante Thermo Fisher e a WERK, além de prestar orientações técnicas para a preparação do laboratório e a instalação dos equipamentos.
“A SENS é uma empresa de 40 anos e ela supriu 95% de todos os sistemas multicoletores do Brasil, desde 2004 até o presente momento. E a gente dá o suporte técnico, treinamento, interage muito com a comunidade científica brasileira”, afirma.
Jardim também destaca a relação histórica da empresa com o LAGIR, que recebeu um dos primeiros equipamentos fornecidos pela SENS para um laboratório brasileiro.
“É uma parceria de longo prazo, porque o primeiro laboratório em que nós participamos como fornecedores de equipamento aqui foi o LAGIR, há 26 anos. O equipamento continua aqui funcionando, gerando dados”, conta.
Um laboratório com projeção internacional
Para Cláudio Valeriano, professor de geologia da UERJ, pesquisador do Instituto GeoAtlantico e ex-coordenador do LAGIR, a expansão representa o resultado de anos de trabalho e consolidação científica.
“É uma realização. Isso mostra que a primeira fase, vamos dizer assim, os primeiros 20 anos do LAGIR foram muito produtivos. Então, a gente conseguiu ter uma certificação dos resultados nacional e internacionalmente”, avalia.
Valeriano espera que a nova estrutura fortaleça ainda mais a presença do laboratório no cenário internacional, com a chegada de pesquisadores e a ampliação das colaborações com instituições estrangeiras.
“A minha expectativa é que ele vire um centro agregador de pesquisadores do mundo inteiro. Então, isso já começa a atrair pós-doutorandos do exterior. A marca de um laboratório internacional é essa. Tem um grupo grande e gente do Brasil e do exterior envolvida.”
Próximos passos
Com a entrada dos novos equipamentos em operação plena, o LAGIR pretende incorporar as novas técnicas aos projetos de pesquisa em andamento, ampliar as parcerias com instituições brasileiras e estrangeiras e fortalecer a formação de estudantes e novos pesquisadores.
Para Henrique Bruno, o avanço também reforça a importância do investimento contínuo em ciência e educação. A infraestrutura de pesquisa permite ampliar o conhecimento sobre o território, os recursos naturais e questões atuais, como as mudanças climáticas e o desenvolvimento de energias renováveis.
“A ciência é o que permite a um país entender seu próprio território, seus recursos e os desafios que enfrenta. E isso não acontece sem investimento contínuo em infraestrutura de pesquisa”, destaca.
O coordenador também ressalta o papel dos recursos públicos para a continuidade do trabalho científico. A expansão do LAGIR-NEOMA, viabilizada com apoio da FINEP e da FAPERJ, mostra como o financiamento à pesquisa contribui para ampliar a capacidade de produção de conhecimento no país.
“Investir em educação e em ciência é investir no futuro do país”, conclui Henrique Bruno.
Renata Correia – Jornalista
Informações para imprensa: institutogeoatlantico1@gmail.com








