Metodologia

A proposta de trabalho do INCT é multidisciplinar e envolverá as seguintes etapas metodológicas:

Realização de compilação geológica regional, incluindo dados aerogeofísicos e sensores remotos disponíveis. Nesta etapa serão compilados dados estruturais referentes à herança tectônica do embasamento, dados estruturais referentes a reativações durante o Mesozoico-Cenozoico, dados referentes ao magmatismo, bem como dados geocronológicos e de termocronológicos disponíveis na literatura. Da região offshore dados geofísicos e geológicos publicados serão integrados.

Durante as etapas de campo serão levantadas informações sobre estruturas dúcteis (herança do embasamento), caracterização de terrenos amalgamados e granitóides pré, sin e pós orogênicos (incluindo coleta de amostras para estudos laboratoriais), estruturas rúpteis e magmatismo mesozoico pré a sin-rifte representados por enxames de diques toleíticos, bem como corpos de rochas alcalinas Esta etapa metodológica engloba a realização de trabalhos de campo, tanto em escala regional como posteriormente em escala de detalhe em alvos selecionados. Todos os grupos de pesquisa do Instituto estarão envolvidos diretamente nesta etapa.

Inclui a preparação e realização de análises em laboratórios no país e no exterior, bem como o processamento e interpretação dos dados analíticos. Como trabalhamos em convênio com estes laboratórios no país e no exterior, estão previstas no orçamento passagens aéreas para que membros da equipe do projeto possam participar da aquisição analítica. A preparação de amostras é específica para cada análise e será realizada nos laboratórios disponíveis da rede do INCT, na UERJ, UFOP, UFMG E UFPR principalmente. Os laboratórios petrográficos e petrofísicos da rede participarão ativamente desta etapa. Análises de imagem e elementares serão realizadas em MEV-BS-EDS e EPMA nos laboratórios da UNESP. Análises isotópicas de Nd, Pb e Sr estão previstas e serão realizadas no Laboratório de Geocronologia e Isótopos Radiogênicos (LAGIR-UERJ). Já as datações radiométricas pelos métodos K-Ar e Ar-Ar, para caracterização dos corpos magmáticos, serão realizadas no CPGeo/USP, bem como em laboratórios do exterior. Datações radiométricas pelo método U-Pb por TIMS, LA-ICPMS e por SHRIMP estão previstas no projeto visando o detalhamento da cronologia tanto dos eventos orogênicos e distensivos. Estas análises serão executadas na UERJ, UFOP, UNB, e em laboratórios parceiros no Canadá, UK, EUA e Austrália. Análises termocronológicas pelos métodos dos traços de fissão em apatita e zircã, e U-Th-He em apatita serão realizadas na UNESP com colaboração de pesquisadores da UERJ.

Envolve caracterização do posicionamento estratigráfico e correlações entre bacias; definição de ambientes de sedimentação e suas conexões laterais e de superposição no tempo geológico; caracterização de áreas-fonte e proveniência de sedimentos através de análises U-Pb em minerais acessórios, análises isotópicas nos sistemas Sm-Nd, Rb-Sr e Lu-Hf) em rochas sedimentares e metassedimentares; caracterização da história deposicional e diagenética de rochas carbonáticas através de estudos petrográficos, geoquímicos e isotópicos; caracterização de condições redox e de nutrientes de rochas siliciclásticas através de proxies geoquímicos, isotópicos e de especiação; análises de variações verticais e laterais em colunas estratigráficas. As análises serão realizadas nos laboratórios da UERJ (geocronologia e geologia isotópica), UFPR (caracterização diagenética e petrográfica de carbonatos) e no Laboratório de Geoquímica Sedimentar do CPMTC-IGC-UFMG (caracterização geoquímica das condições redox e nutrientes das rochas siliciclásticas).

  1. a magnetometria será usada para adicionar informações estruturais, utilizando os softwares GM-SYS e Geosoft cujas licenças já existem na UERJ e no ON;
  2. a gravimetria complementará a magnetometria (Métodos Potenciais) na investigação de estruturas de grande e médio porte. Serão solicitados dados públicos da área de pesquisa e espera-se interpretar anomalias positivas associadas a rochas mais densas ou altos no embasamento cristalino, além da presença de lineamentos geológicos. As informações mais importantes da gravimetria serão obtidas através dos mapas temáticos;
  3. Sísmica- linhas sísmicas e alguns poços para a obtenção de informações de relevância estratigráfica serão abordados. Essa atividade consistirá no uso de atributos sísmicos, por exemplo, RMS Amplitude e IF para o reconhecimento e mapeamento das estruturas.
  4. Método Magnetotelúrico (MT) tem potencial para mostrar grandes estruturas de interesse geológico, sendo possível discriminar blocos resistivos crustais e condutores de natureza diversa associados a estruturas orogênicas antigas (relativas à amalgamação do Gondwana) e estruturas geradas durante o breakup do Gondwana ou ainda mais novas. Pesquisadores do Observatório Nacional e da UERJ associados ao instituto tem realizado projetos de grande porte em seções MT na região onshore e offshore da margem continental sudeste do Brasil.

Todos os dados gerados serão armazenados em banco de dados e processados em softwares específicos (Minpet, Newpet, Isoplot, GDKit, Stereonet, Tectonics-FP, ARCGIS, Petrel). As análises geométricas, cinemáticas e dinâmicas, serão realizadas na medida em que os dados forem adquiridos no campo. A caracterização do regime de esforços, relacionado ao emplacement dos corpos magmáticos, será executada também durante o mapeamento geológico das áreas alvo no campo. Softwares específicos serão utilizados para este fim. As análises litogeoquímicas, isotópicas e geocronológicas, após seu processamento também serão armazenadas no banco de dados, em ambiente GIS, em total harmonia com os mapas temáticos gerados.

Na porção onshore, os dados gerados e compilados serão reunidos na forma de mapas temáticos, e de diagramas de correlação entre processos geológicos, tempo e localização geográfica, a fim de compor modelos de evolução da deformação da crosta, incluindo os processos dúcteis e as reativações pela tectônica rúptil em conjunto com as manifestações magmáticas. Será dada ênfase nas estruturas e fenômenos geológicos que tenham potencial prolongamento sobre a área offshore. Utilizando dados geofísicos e de poços disponíveis realizaremos a etapa de integração geológica das porções onshore e offshore das bacias marginais brasileiras e africanas. A herança estrutural e litosférica, os diferentes estilos estruturais e a natureza da transição COB serão abordados. Toda a equipe do instituto participará desta etapa de integração final da proposta científica. O software GPLATES será utilizado nesta etapa.

A apresentação de trabalhos em reuniões científicas é parte importante desta etapa, com o fim de discutir os resultados e interpretações com especialistas da área, tanto do país como do exterior. A promoção de workshops com a equipe do projeto também será fundamental neste processo de integração e discussão dos resultados do projeto Pretendemos ainda, com a equipe de divulgação científica, elaborar CDs e filmes científicos relacionados à evolução de supercontinentes, para distribuição em escolas de ensino média e fundamental, e possivelmente um filme de divulgação científica com empresas especializadas.